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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Perseguição aos Sonegadores

Com a fim da CPMF muita gente achou que estava livre do rastreamento da Receita Federal teve uma péssima notícia ontem com a publicação da IN 811 da RFB.

A Receita Federal criou uma nova ferramenta para substituir a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) em sua função de controle da sonegação fiscal. A Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof) vai fornecer ao Fisco dados sobre a conta corrente e poupança.

A medida será aplicada a pessoas físicas que movimentam acima de R$ 5 mil a cada semestre e a pessoas jurídicas com movimentos acima de R$ 10 mil no mesmo período. Bancos, cooperativas de crédito e associações de poupança e empréstimo serão obrigadas a apresentar a Dimof de cada titular duas vezes por ano. segundo informou o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, as instituições têm até 15 de dezembro para apresentar a declaração de 2008 retroativa ao mês de janeiro.

Espero que as medidas do Governo Lula continuem trazendo a tona casos de corrupção que durante anos ficam escondidos.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Que os ricos paguem pelo fim da CPMF

No momento em que o governo federal adota e anuncia medidas para compensar o fim da CPMF, que deve retirar cerca de R$ 40 bilhões do orçamento da União para 2008, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) vem a público manifestar as seguintes opiniões:

1- Os ricos e não os pobres devem pagar a conta da CPMF

2- São inaceitáveis medidas que venham a comprometer o reajuste do funcionalismo e as novas contratações indispensáveis para reaparelhar e fortalecer o Estado nacional.

3- Os investimentos associados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), bem como as despesas sociais, devem ser preservados e ampliados.

4- As medidas anunciadas pelo governo que elevam a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos e instituem o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre as remessas de lucros e dividendos das transnacionais merecem todo apoio da classe trabalhadora e do movimento sindical.

5- É hora de reduzir substancialmente o superávit primário, que em 2007 consumiu mais de 100 bilhões de reais, usando os recursos poupados para financiar o déficit provocado pelo fim do CPMF e aumentar gastos e investimentos públicos.

6- Chegou também a hora de regulamentar o Imposto sobre Grandes Fortunas, aumentar a taxação sobre heranças, assim como sobre remessas de lucros e dividendos.

7- É preciso unir e mobilizar a classe trabalhadora e o conjunto do sindicalismo nacional na luta contra o corte nos gastos e investimentos públicos, pelo fim do superávit primário e por uma reforma tributária progressiva e socialmente justa.

Não podemos esquecer que quem lutou com unhas e dentes contra o tributo sobre transações financeiras foram os banqueiros e grandes capitalistas, representados por entidades como a Fiesp (Federação da Indústria de São Paulo) e a Febraban (Federação Nacional dos Bancos). Promoveram panfletagens, atos públicos e até um show bilionário sem público na capital paulista contra a CPMF. Contaram com a cumplicidade e os votos do PSDB e DEM no Senado.

As entidades filiadas à CTB devem realizar campanhas de mobilização e conscientização nos Estados, junto às suas bases e ao povo, denunciando e desmascarando os senadores que subtraíram R$ 40 bilhões da saúde e dos gastos e investimentos públicos, defendendo o fortalecimento do Estado e do Sistema Único de Saúde (SUS), a ampliação dos gastos e investimentos públicos e mudanças na política econômica.

A CTB, através do seu presidente, subscreve o abaixo assinado intitulado “Por uma reforma tributária justa”, lançado por personalidades democráticas e lideranças dos movimentos sociais, e apóia ativamente a mobilização do funcionalismo público federal em defesa dos seus direitos e do cumprimento de acordos já negociados.

Wagner Gomes
Presidente Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil

domingo, 23 de dezembro de 2007

Ainda a CPMF

A CPMF ainda toma as paginas dos jornais nas notícias políticas e econômicas, alguns ainda comemorando uma “pseuda redução” da carga tributária, outros comentando os esforços do Governos para repor a receita perdida para a Saúde e para financiamentos sociais imprescindíveis aos brasileiros e muitos mostrando a comemoração dos Senadores que votaram contra a prorrogação da CPMF.

Todos que me conhecem, ou acompanham meu blog ou artigos no Jornal Gazeta das Praias sabem que minha posição foi favorável a manutenção da CPMF pela justiça do tributo que atinge a todos e pelo caráter investigativo sem falar da necessidade de manutenção do SUS que atende principalmente à Classe Trabalhadora. Neste momento, porém a sociedade deve tirar conclusões que vão além da prorrogação ou não, devemos aproveitar para questionar aqueles que rejeitaram sobre o que fazer? E não deixa-los apenas comemorar uma vitória (não sabemos de quem).

Já que esses Senadores tomaram postura tão contrária a CPMF alegando que os trabalhadores assalariados não mais suportam os tributos, deixo aqui minha sugestão para eles. Que se faça a regulamentação de um tributo já previsto na Constituição Federal, o Imposto sobre Grande Riquezas, mas que nunca foi cobrado. Já que eles alegaram que a questão era retirar carga tributária de quem ganha menos vamos tributar quem tem condições e com isso manter o Sistema Único de Saúde – SUS.

Para lutar contra o imposto que todos pagam eles se uniram, vamos ver o que eles fariam para tributar a burguesia que em sua maioria nem o Imposto de Renda paga!

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

CPMF gera menos distorções na economia que outros tributos*

A impopularidade dos impostos atravessa a história. Carlos VII e Luis XI, por exemplo, criaram um sistema de impostos na França muito condenado pela Revolução de 1789, mas que foi a base do crescimento do país por 300 anos. O principal desses impostos "talha" começou como temporário e continua existindo até hoje na forma de imposto de renda. Por outro lado, vários impostos criados pela Revolução, como aquele sobre as janelas, não tiveram sorte. Victor Hugo tem uma página memorável contra este imposto, a qual termina dizendo que Deus nos deu o ar de graça, mas o Estado queria cobrar por ele, fazendo as pessoas morarem em casas escuras e fechadas. Curiosamente, dizem que o mesmo imposto na Inglaterra incentivou a proliferação de janelas nas mansões, como mostra de status (com se diz no Rio, "há controvérsia" mas, dependendo das alíquotas, pode ser).


A emoção literária nem sempre é a melhor conselheira sobre impostos. A análise econômica mais das vezes é indispensável para se evitarem descaminhos. Nesse sentido, deve-se evitar que a renovação da CPMF – um tributo cobrado toda vez que um recurso sai de uma conta bancária – seja abafada por generalidades, preconceitos ou mesmo oportunismo.


A CPMF é hoje um dos tributos que gera menor distorção na economia. Além de sua arrecadação ser transparente, verificável e barata, ela alcança agentes que escapam de outros impostos, aumentando a eqüidade do sistema como um todo. Como um cuidadoso estudo do Banco Mundial conclui, "apesar do encanto e popularidade de opiniões afirmando que a CPMF é um mecanismo de tributação muito oneroso à sociedade, até agora a pesquisa empírica tem falhado em dar suporte a essa conjectura". De fato, as referências acadêmicas mais usadas nos debates são um encadeado de citações sobre conjecturas ou modelos com falhas lógicas ou saltos apriorísticos na implementação.


A CPMF se converteu basicamente em um tributo sobre compras e vendas que usem os bancos. Ela pode encarecer um pouco o custo de produção das empresas, mas pode-se demonstrar que o impacto é menor daquele que viria de outros impostos, talvez com a exceção de um imposto ideal sobre o valor agregado. O efeito da CPMF é parecido com o da tarifa cobrada pelos bancos sobre o talão de cheques, ou da taxa cobrada pelas administradoras de cartões sobre as lojas.


É claro que há restaurantes que não aceitam cartão de crédito e pessoas que deixam de usar o cheque, ou o caixa automático, porque têm que pagar pela operação. Mas, a questão é se a CPMF, que incide sobre esses serviços, os encarece a tal ponto que altere o comportamento das pessoas de forma prejudicial à economia. Não há indicação disso. Primeiro porque ela não é cara em relação ao custo dessas operações. Segundo, porque simplesmente não se viu desintermediação bancária desde 1998, quando a CPMF se estabilizou.


Quando foi instituída, a CPMF foi muito criticada porque poderia distorcer o investimento. Por exemplo, se o investidor pagar 0,38% cada vez que for trocar de aplicação, a alocação de capital na economia poderia ser prejudicada, pois a contribuição seria alta em relação ao rendimento dos títulos. Mas, a partir de 2004, os ajustes de carteira saíram do alcance da CPMF, com a criação da Conta Investimento. Essa conta também derrubou o argumento de que a CPMF encarece a dívida pública.


Um outro argumento comum contra a CPMF é que ele encarece o crédito. Se um empréstimo for renovado, por exemplo, semanalmente, a taxa de juros seria acrescida de "50 CPMFs" ao ano - o que equivaleria a juros adicionais de uns 25%. Com a taxa básica de juros em 18% ao ano e o spread bancário típico acima de 50% ao ano, esse impacto talvez fosse de segunda ordem. Mas, com a queda dos juros, vale a pena olhar com atenção para o problema, dimensionando-o com cuidado.


Deve-se ter claro, antes de se formular uma política para a CPMF no crédito, que os empréstimos de curtíssimo prazo geralmente atendem mais às despesas imprevisíveis do que ao total das despesas de giro. Há que se distinguir entre a freqüência com que a empresa tem que fazer pagamentos e receber recursos, e a freqüência com que recursos ociosos ou em falta devem transitar da conta corrente da empresa para o banco e vice-versa. Esta última é que determina o custo econômico da CPMF no crédito. Tecnicalidades à parte, essa é a discussão importante no momento.


Finalmente, a defesa da CPMF como um "bom" imposto não deve ser confundida com complacência em relação à crescente carga tributária, mesmo que a tendência dos gastos do governo tenha a ver com a sua capacidade de arrecadação. A tese de Ronald Reagan de que simplesmente cortar impostos acaba com o gasto não foi confirmada nem sequer nos Estados Unidos. Ela resultou em crescimento da dívida, juros altos e uma quase crise financeira, que foi evitada porque o presidente Bush (41º) renegou seus compromissos e aumentou os impostos em 1991. Segurar o gasto - especialmente o corrente - depende de uma decisão política que envolve mais que a renovação de uma contribuição eficiente. Esse tema deve ser tratado com máxima seriedade e sem hipocrisia.


Não tenhamos dúvidas: a discussão do gasto público e de assuntos como concorrência é crucial para o país, afetando o crescimento, os preços e a justiça social. Como se sabe, Robin Hood não era contra os capitalistas (que não existiam ainda). Ele era contra se asfixiar os que produziam, penalizando-os com altos impostos e regras voltadas principalmente para a auto-preservação de corporações sustentadas pelos impostos. O que Robin Hood, assim como a maioria de nós, queria, era um Estado que estimulasse a criação de riqueza, o comércio e a iniciativa.


* Joaquim Levy é ex-secretário do Tesouro Nacional e secretário de Fazenda do Rio.


Fonte: Valor Econômico

domingo, 16 de setembro de 2007

CPMF - Sou favorável

Eu sou favorável à manutenção do CPMF, e antes que alguém possa achar que sou louco entre tantas opiniões contrárias iniciarei minhas explicações.

A CPMF hoje é o único tributo brasileiro a prova de fraudes, a não ser para uma pequena parcela da população que não utiliza o sistema bancário, e como todos sabemos os outros tributos geralmente os mais ricos conseguem forma de não pagar.

A justiça do tributo também é indiscutível, como se trata de um percentual sobre cada movimentação financeira, aqueles que movimentam mais se deduz terem maior poder aquisitivo.

E para mim o ponto mais importante e que certamente preocupa muito desses que são contra a CPMF é o caráter investigativo da Contribuição. Desde 2000 é permitido o cruzamento entre os valores pago de CPMF e os valores declarados como receita na Declaração de Imposto de Renda, ou seja, através da CPMF a Receita Federal consegue evitar que muitas pessoas fraudem a Declaração anual do Imposto de Renda.

Para finalizar concordo que 0,38% sobre movimentação é um percentual altíssimo e que para manter os princípios acima elencados esse percentual poderia ser reduzido a metade.

Temos que atentar quando algumas pessoas pedem o fim da CPMF e não a redução dela, será que eles estão preocupados com o povo pagando imposto ou com a investigação da CPMF??